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Planaltina recebe a tradicional Festa do Divino Espírito Santo

Serão 10 dias de manifestação de religiosidade, cultura e tradições populares

Planaltina é a região administrativa mais antiga do DF e também a que carrega um dos mais tradicionais festejos populares, a Festa do Divino Espírito Santo. São 158 anos de história, perpassando gerações para manter as chamadas “folias de rua e de roça”.

Obedecendo o calendário religioso, que estabelece as celebrações sempre sete semanas após o domingo de Páscoa, entre os dias 10 e 20 de maio acontece mais uma edição do evento carregado de tradição, religiosidade e cultura. O ápice ocorre nos últimos dias, com show de ícones da música Católica (18 e 20/5) e com o “Encontro de Bandeiras” (19/5).

Durante  período, são esperados 100 mil participantes, entre fiéis, moradores da região e turistas. A programação na cidade (folia de rua) e na zona rural (folia de roça) inclui missas, novenas, cavalgadas, procissões, cantorias, ladainhas e shows.

A Folia acontece em parceria entre a Igreja Católica e a comunidade, com o apoio de voluntários e doações. Além do caráter cultural e religioso, o evento movimenta a economia solidária, além de valorizar o turismo histórico riquíssimo da região de Planaltina.

A organização da festa é compartilhada entre os casais escolhidos com posição de destaque – o festejo possui regras e hierarquias que remontam suas origens – e pelo menos 200 outros voluntários que coordenam as doações nas diferentes igrejas que participam dos festejos. Além disso, todos os alimentos são ofertados pela própria comunidade, urbana e rural, com o apoio das igrejas e capelas envolvidas. Mais de 10.000 refeições com os alimentos recebidos.

Tombada como Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal, pelo Decreto nº 34.370, de 17 de maio de 2013, a Festa do Divino tem do deputado Claudio Abrantes a partir de emenda parlamentar para infraestrutura (tenda, palco, som, iluminação, gerador, cercamento, mesas, cadeiras, tablado e banheiros químicos).

“A Festa do Divino é baseada principalmente nas relações de parentesco e vizinhança, que se organizam em mutirões para arrecadar fundos para a própria comunidade”, destaca Abrantes sobre a importância da festa que é a segunda maior manifestação religiosa de Planaltina, atrás apenas da Via Sacra do Morro da Capelinha, do qual foi protagonista por anos.

Folia de Rua

As celebrações na cidade de Planaltina começam com as novenas que acontecem em 13 paróquias e capelas (Paróquias Santa Rita de Cássia, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Nazaré, São Vicente de Paula, Divino Espírito Santo e São Sebastião e Capelas Santa Rita Murialdo, Imaculada, São Francisco e São José), além de 100 casas da região (noveneiros). Durante os nove dias, há missas com rituais diferenciados como a entrada dos imperadores e foliões de rua. O grande encerramento acontece dia 19 de maio com o “Encontro das Bandeiras”.

Este ano, dois grandes shows de música Católica integram a programação na praça São Sebastião. Davidson Silva sobe ao palco dia 18 de maio (sexta-feira), a partir das 22h, com grandes sucessos de louvor. Para encerrar todas as celebrações da Festa do Divino, o último dia dos festejos (20 – domingo) conta com a voz de Celina Borges para um momento de muita adoração da artista com 30 anos de carreira, inclusive tendo gravado ao lado do Padre Fábio de Mello.

Folia de Roça

Na zona rural, ou seja, na “Folia de Roça”, a festa segue por uma dinâmica diferente, sempre com todos paramentados de lenços vermelhos no pescoço e divisa (espécie de broche) nas blusas. A Alvorada (primeiro dia de folia) acontece na fazenda do Alferes (responsável pela festa).

Nos “pousos” (fazendas anfitriãs), os foliões jantam, tomam café, assistem às missas pela manhã e almoçam, sempre de forma gratuita, arcada com doações. Nestes pontos, acontecem também as cantorias e ladainhas, um dos maiores símbolos da festa, feitos por instrumentistas, rezadores e foliões antigos. Para mudar de um pouso a outro, seguem as cavalgadas que podem chegar a 25Km de distância.

O deputado Claudio Abrantes participa da Folia de Roça, à pé, pagando uma promessa que fez pela saúde do filho, em 2014. “Serão sete Folias à pé entre os pousos, pela graça que me foi concedida com a cura do meu filho”, explica.

Este ano a programação da Folia de roça segue:
• 13/05 – 18h – Fazenda São Felipe (Rodovia GO230 Km 09 a direita, Água Fria de Goiás)
• 14/05 – 13h – Fazenda Bela Vista (Rodovia GO230 Km 07 a esquerda, Água Fria de Goiás)
• 15/05 – 13h – Fazenda Oliveira (Rodovia GO230 Km 22 a esquerda, Planaltina de Goiás)
• 16/05 – 13h – Fazenda São Jorge (Rodovia GO430 Km 27 margem esquerda do Rio Cangalha, Planaltina de Goiás)
• 17/05 – 13h – Fazenda Jequitibá (Rodovia GO430 Km 08 à esquerda, Planaltina de Goiás)
• 18/05 – 13h – Fazenda Mantiqueira (Rodovia DF02 LESTE Km 3,9, Planaltina-DF)

Transformação

Mesmo preservando suas raízes, a Festa do Divino precisou acompanhar as transformações sociais. Antes, os cortejos eram reservadas apenas aos homens, mas aos poucos as mulheres foram conquistando seu espaço. Este ano, quem encabeça a organização com o título de Alferes é a jovem Maria Eduarda Gratão, de 16 anos. As tradições fazem parte de sua família e ela participa desde que tinha 3 anos de idade. Para tamanha responsabilidade, contará com o apoio da mãe Weslia e outros parentes e amigos. É a primeira vez que uma mulher ocupa o posto, antes as que chegaram à frente estavam ao lado de seus maridos como casal anfitrião. Maria Eduarda acumula outro feito de ser a pessoa mais jovem a ter a honraria.

“Estou muito ansiosa com a Festa, que para mim é sinônimo de religiosidade. Fico muito feliz de ser a festeira da vez porque meus irmãos, meus pais e várias pessoas da minha família já passaram por essa experiência”, comemora Maria Eduarda.

Para saber mais

A Festa do Divino é uma manifestação cultural religiosa, tradicional e popular. Ela recorda a descida do Espírito Santo sobre os 12 apóstolos de Jesus Cristo, em Pentecostes, sete semanas depois da Páscoa. A origem remonta às celebrações religiosas realizadas em Portugal a partir do século XIV, nas quais a terceira pessoa da Santíssima Trindade era festejada com banquetes coletivos designados aos pobres.

Essencialmente de caráter comunitário, a Festa do Divino é uma celebração em que a doação – de bens ou de trabalho – é fundamental, já que seu espírito é de promover comunhão e partilha, quando quem tem, doa, e que nada tem, recebe de graça.

A crença no Espírito Santo é reconhecida como um dos principais focos das formas de espiritualidade popular do Centro-Oeste. Segundo pesquisas históricas, a Festa está intimamente ligada ao período da mineração de ouro e se conservou especialmente nas velhas cidades goianas do século XVIII, sendo rara e pouco solene nas cidades que foram fundadas depois do ciclo do ouro.

A celebração cria um sistema de hierarquias que ressignificam as regras sociais locais. A escolha dos encargos do Divino obedece aos rituais de um sorteio solene. Assim, a Festa do Divino instaura uma transformação não apenas na vida da sociedade local como também na vida pessoal dos participantes. Redefinem-se, a partir da organização de sua festa, as relações de lealdade de grupos, categorias e classes, dando lugar a dos fiéis, dos súditos do Imperador do Divino.

SERVIÇO
Festa do Divino Espírito Santo de Planaltina
Data: 10 a 20 de maio de 2018
Local: Planaltina-DF
Entrada: Gratuita
Classificação indicativa: Livre

Shows
18/05 – Davidson Silva
20/05 – Celina Borges
Gratuitos, sempre às 22h na Praça São Sebastião, Planaltina-DF

Ponto alto
Encontro das Bandeiras
Data: 19/05
Procissões pela cidade com encontro às 13h na Praça São Sebastião, Planaltina-DF